Armandinho concede entrevista a ASLFM de MG

Armandinho fala sobre o que o incentivou para este esporte,  a dificuldade de fundar uma equipe, decepção, alegria, fala sobre organização e competições, comenta sobre Fair Play.

Vale a pena conferir esta entrevista.

Segue abaixo na íntegra:

 

Entrevista 14/12/2012

Por Breno Marques – Presidente da ASLFM / São Lourenço-MG

Armandinho destaca o crescimento do Futmesa Mineiro e diz que o Futeboldemesanews é a locomotiva do esporte! Fala sobre seu sonho em ter uma sede oficial da Federação de Futebol de Mesa de Pernambuco e espera em breve inaugurar a Arena Armandinho. Leia mais...

Entrevista concedida a Armando Francisco pela ASLFM 2012

Faça uma breve apresentação a seu respeito. Onde e quando nasceu? Onde e quando iniciou no futebol de mesa? Como aconteceu seu início na modalidade 12 toques? Quais os tipos de regra que você já praticou? Qual a maior satisfação que o futebol de mesa lhe proporcionou?

Nasci em Recife e comecei a conhecer o Futebol de Mesa como Jogo de Botão e numa condição bem especial, visto que meu Pai era um dos maiores fabricantes de botão da Cidade. Na época, isso era década de 60, a grande maioria dos jogadores faziam seus próprios botões ou os compravam em uma antiga Casa de Detenção (hoje CASA DE CULTURA no centro de Recife). Esses botões, que eram feitos à mão e a matéria prima era o chifre de boi, muitas das vezes eram levados para meu pai “ajeitar” em seu torno mecânico. Conheci assim os grandes jogadores da época e embora ainda menino comecei a frequentar as ligas de jogo de botão em toda a cidade. Sendo assim joguei várias regras, pois naquela época em cada esquina se jogava uma regra, embora basicamente em Recife se jogasse mais o LEVA- LEVA que é uma versão primitiva da Regra 12 Toques. Só comecei a jogar regras oficiais depois de formado, na década de 80 quando conheci a regra 3 toques também chamada Regra Carioca. Em termos de Regras oficiais só joguei a de 3 Toques e a de 12 Toques, embora tenha praticado por muito tempo a REGRA PERNAMBUCANA que para mim é a mais difícil. A minha maior satisfação foi ter podido contribuir na divulgação do Futebol de Mesa em Pernambuco, quando participei da criação da CBFM e levei para meu Estado a Regra 12 Toques, e pode ver a evolução e o crescimento das Regras oficiais deste Esporte na minha cidade.

O que o levou a optar pelo futebol de mesa como modalidade esportiva, em detrimento de outro esporte?

Não acredito que optei pelo Futebol de Mesa, como expliquei acima, eu cresci vendo meu pai fazer botão e apenas entrei nesse esporte e não consegui sair mais. Sei que é difícil para os pais, hoje em dia, trazer as crianças para jogar botão quando eles têm tantas opções de jogos eletrônicos principalmente os games de Futebol.

O que representa o futebol de mesa para você? Quanto tempo de sua semana você dedica à prática do futebol de mesa? Sua família apoia você?

O Futebol de Mesa representa para mim a melhor opção de Esporte Amador, eu não pratico o quanto praticava em alguns anos atrás, mas jogo pelo menos uma vez por semana e estou quase diariamente fazendo alguma coisa referente ao Futebol de Mesa, seja nos contatos com botonistas seja em decorações que sempre gostei de fazer. Minha família sempre me apoiou e geralmente aconselho aqueles que começam um relacionamento que apresentem a sua futura companheira em primeiro lugar o Futebol de Mesa, no futuro ela não vai reclamar tanto, quando da sua preferência por seu joguinho de botão em detrimento a outra programação dela. Conheço muitos bons botonistas que deixaram de jogar depois que casaram.

Qual o nome de seu time e o que o levou a esta escolha?

Eu sempre joguei com o times do Santa Cruz de Recife, mas atualmente jogo com times do Barcelona, tenho 10 e sempre faço pelo menos um todo ano, principalmente com essas possibilidades de novas decorações vitrine que criei, visto que o Barcelona sempre lança padrões diferentes todos os anos.

Quais os botonistas que, ao longo de sua carreira, mais o incentivaram?

Em Recife, quando menino, conheci um Senhor Chamado “Seu Aldiro” que estava praticamente toda semana na oficina do meu pai fazendo botões da Regra Pernambucana, ele foi que me levou e me incentivou a jogar Botão. Meu pai embora fosse fabricante queria mesmo era que eu estudasse.

Quais mais o influenciaram e impressionaram?

A influência mesmo foi o Sr. Aldiro, mas quem mais me impressionou foi um Sr. chamado Gilvan que jogava a Regra Pernambucana e para mim o maior jogador de Botão que conheci.

Quais mais o decepcionaram?

Nunca tive alguém que realmente me decepcionou não, apenas sinto a falta de alguns botonistas que pararam de jogar e fazem falta.

Em sua opinião, qual o tipo de time ideal, bainha, altura, diâmetro etc.?

Para mim não existe time ideal, pois depende muito da mão de cada botonista e da força normal que utiliza para jogar. Além do mais existem estilos de jogo diferente, por exemplo, botonistas chutadores que não gostam ou não tem habilidade para controlar muito, costumam jogar com botões de caída “grau ou bainha” menores e jogadores que controlam mais usam geralmente grau maiores, por exemplo o Campeoníssimo Quinho, se não me engano, joga com botões de grau 25. Meus times são todos de grau 23 e normalmente altura 4,5 mm, embora eu tenha times de 4,4 mm e 4,6 mm de altura devido a grande variação do peso das bolinhas, como meus times são sempre fechados, gosto deles mais leves e uso 8 Chuteirinhas, 5 mm de área de atrito e cava 1,8 mm. Uso sempre botões de 58 mm de diâmetro para os jogadores de defesa e 54 mm para os atacantes.

O futebol de mesa não se resume apenas aos títulos e troféus conquistados. Quais foram as suas maiores alegrias na carreira? E as maiores tristezas ou decepções?

Alegrias foram muitas, poder conhecer pessoas do Brasil todo e também do Mundo através do Futebol de Mesa era coisa que não se imaginava quando comecei ainda criança. Tristeza mesmo no Futebol de Mesa foi quando recebi a notícia da morte de Della Torre, para mim uma das pessoas mais importante na história do Futebol de Mesa do Brasil. Decepção é não ter conseguido “ainda” em Recife implantar o Futebol de Mesa nos grandes Clubes da minha cidade com a infraestrutura, respeito e credibilidade que nosso esporte merece.

Qual a sua partida que você chamaria de inesquecível?

Normalmente a gente costuma ter como inesquecível um grande vitória, mas para mim foi a decisão do 1º Campeonato Brasileiro Master Série Ouro quando perdi para Nilson do Curitibano por 2 x 1 em competição realizada no Indiano SP. Inesquecível não só por ser uma decisão como também por ter sido o divisor de águas na consolidação da implantação da categoria Master em 1994.

Qual a sua pior partida, aquela que você não gostaria de lembrar?

Curiosamente achava que não iria acontecer nunca, mas foi perder uma partida de 1 x 0 neste último Brasileiro, quando eu e meu adversário passamos toda a partida “brigando” com a bolinha.

Descreva um fato pitoresco acontecido no futebol de mesa, dentro ou fora da mesa.

O fato não que citarei não foi apenas pitoresco como também foi hilárico. Em Recife tínhamos um botonista chamado Zig Zig, infelizmente faleceu este ano, que jogava muito devagar, nosso Zig disputou alguns Brasileiros e num deles ganhou de um botonista consagrado de São Paulo, no final do jogo, intrigado com a “Cera” de Zig, o seu adversário comentou ao final do jogo “O Sr. joga muito devagar” e Zig na maior calma do Mundo respondeu  apontando para seus botões “É o único defeito desse time”.

Existe uma conscientização generalizada em favor do "fair-play" nas competições esportivas. Apesar dos "quilômetros rodados", o que tira você do sério numa competição de futebol de mesa?

Realmente o que me tira do sério é a desonestidade de alguns adversários, conheço e joguei com grandes botonistas que você não pode dar as costas ou ir anotar um gol que ele mexe nos botões “ajeitam” jogadas para se beneficiar etc. isto realmente me tira do sério quando percebo e realmente me desinteresso pela partida.

Qual o clube de futebol de mesa mais organizado em que você já jogou?

O mais organizado foi a AABB Recife, mas a saída de alguns diretores que apoiavam o Futebol de Mesa mudou a cena desse esporte no clube e hoje praticamente não se joga lá.

Qual a competição mais organizada de que você tomou parte?

Já participei de grandes Campeonatos Brasileiros organizados, mas a COPA DO BRASIL disputada em Caruaru este ano foi realmente uma das melhores competições que disputei, campos bons, bolas boas, lindos troféus e excelentes receptividade dos anfitriões.

Quais são as maiores qualidades e os defeitos da regra 12 toques?

Qualidades eu acho muitas, regra de fácil compreensão, materiais relativamente baratos e bom intercâmbio, defeitos eu não registro, apenas algumas dificuldades no que diz respeito a unificação e padronização da bolinhas. Saliento, no entanto que estou sentindo falta dos Congressos Técnicos que fazíamos antes dos Brasileiros onde discutíamos e propúnhamos mudanças e avanços na Regra, acredito que algumas coisas poderiam ser mudadas na Regra no sentido de melhorar tecnicamente os jogos, mas precisamos discutir mais isso.

Que sugestões você daria para a nossa regra ficar ainda melhor?

Eu tenho algumas, mas vou citar apenas duas: 1ª – Não mais puder arrumar os times nos tiros de meta, ou seja, só se arrumam os times nos centros (após um gol) isso melhoria a técnica visto que os botonistas teriam que cuidar mais da defesa e evitava o jogador dar um chutão para fora quando está sem condições de fazer o gol (no 12º toque, por exemplo) apenas para arrumar a defesa, no final do jogo o adversário as vezes não tem tempo nem de arrumar os times. 2º – Não se poderia chutar a gol no 3º toque do botão, ou seja, como cada botão tem direito a 3 toques o botonistas só poderia chutar a gol no 1º ou 2º toque dele o terceiro só poderá ser dado para dar um passe para outro botão. Essas sugestões que dou precisam ser discutidas e treinadas para depois serem oficializadas.

Em sua opinião, qual o maior problema enfrentado pela CBFM 12 toques no momento?

A unificação e padronização das bolinhas.

Que sugestões você daria para que o movimento da 12 toques possa crescer?

Se implantar nas escolas, o que além de divulgar atrairia os garotos para o esporte, hoje a maioria dos meninos que jogam são filhos de botonistas.

Como você vê o atual momento do futebol de mesa pernambucano, mineiro e nacional? Quais suas sugestões e expectativas em relação ao movimento no seu estado?

De cátedra posso falar de Pernambuco, já tivemos melhor quando jogávamos no Santa Cruz e no Náutico, hoje só temos o Sport com uma sala estruturada mesmo assim sem muito apoio do Clube para que seus botonistas disputem as competições Nacionais representando o Clube. Em Minas noto que teve um crescimento muito grande e Nacionalmente não tem o que discutir o trabalho do Farah e o Site Futebol de Mesa News realmente é a locomotiva do nosso esporte.

Atualmente você ocupa cargo de direção em algum clube, associação, federação ou confederação? Se sim, quais os seus grandes desafios?

Atualmente sou presidente e criador do RECIFE ARENA – CLUBE ARMANDINHO DE FUTMESA, meu grande desafio e objetivo para 2013 é montar a sede do meu clube a fazer um trabalho de base com a garotada.

Quais são seus projetos para o futuro no movimento esportivo?

No que se refere ao Futebol de Mesa, meu grande sonho é ter em PERNAMBUCO uma sede oficial da Federação de Futebol de Mesa de Pernambuco.

Fale-nos um pouco do seu clube atual, seu famoso Clube Pernambucano. Quais os problemas que ele vem superando? Quais os projetos para ele?

Fundei o RECIFE ARENA este ano, já temos o site www.recifearena.com.br que é bastante atualizado pelo nosso botonista e editor Flávia AFA. Meu projeto conforme citei anteriormente e ter uma sede própria e fundar a Arena Armandinho.

É comum em nossas conversas surgirem listas dos cinco mais, o "TOP FIVE". Em sua opinião, quais os cinco melhores técnicos da nossa regra?

Não posso citar TOP FIVE, apenas tive o prazer de conhecer e jogar com grandes botonistas, como Almo, Nilson, Mura, Edu Henrique, Luiz Carlos, citando a turma da velha guarda e os garotos, Michilim, Mauro, Gil (o primeiro campeão Brasileiro), Perroti, Laguna, lembrando apenas daqueles que joguei contra. Claro que tem as grandes estrelas de Hoje, como Quinho, Robertinho etc. que qualquer dia desses eu convido para uns amistosos KKKKK

É comum em nossas conversas surgirem listas dos cinco mais, o "TOP FIVE". Em sua opinião, quais os cinco melhores dirigentes do futebol de mesa com que você já trabalhou?

Eu realmente trabalhei com poucos dirigentes, mas cito Éder Sérgio da AABB Caruaru e atual Vice Presidente da FEFUMEPE como um padrão de excelente Dirigente.

É comum em nossas conversas surgirem listas dos cinco mais, o "TOP FIVE". Em sua opinião, quais os cinco melhores botonistas com quem já teve oportunidade de atuar em equipe ou individual?

Já citei acima botonistas que enfrentei, posso, no entanto citar os botonistas Éder de Caruaru, Joaquim e Roberto do Carcará de Alagoas, excelentes botonistas e parceiros de equipe depois que conseguimos o vice Campeonato Brasileiro Master de equipes este ano.

É comum em nossas conversas surgirem listas dos cinco mais, o "TOP FIVE". Em sua opinião, quais os cinco melhores árbitros (ou instrutores) do futebol de mesa?

Realmente não consigo relacionar esses árbitros ou instrutores, vi no entanto um excelente instrutor ou posso chamar de organizador ou conciliador no Campeonato Brasileiro Máster de equipes deste ano em Curitiba, que foi o garoto do Vasco da Gama, acredito que seu trabalho valeu a pena, eles foram os Campeões e únicos a vencer o Carcará.

Um sonho que você ainda não realizou no futebol de mesa?

Conseguir que todos os grandes Clubes de Recife tenham implantados seus Departamentos de Futebol de Mesa.

Qual a sua avaliação sobre o XXIV Campeonato Brasileiro? Pontos Positivos e Negativos. Comente.

O Campeonato foi bom, como sempre eu gosto muito até pelo prazer de rever os amigos, mas ficou muito a desejar no que diz respeito aos campos (uns muito diferentes dos outros) e a bolinha de péssima qualidade.

Finalizando, deixe o seu recado ou impressões sobre o tema que preferir.

Que todos olhem o Futebol de Mesa com o objetivo de fazer crescer esse esporte e ter a visão do grande treinador do Chicago Bulls – Phil Jackson. “ANTES QUE UMA VISÃO POSSA VIRAR REALIDADE, ELA TEM DE PERTENCER A TODOS OS MEMBROS DE UM GRUPO”. Que todos os amantes e praticantes do Futebol de Mesa, independente da Regra que gostem ou pratiquem, tenham a visão de sempre fazer crescer esse esporte. 

Obrigado, Armandinho.

Fonte: saolourencofutmesa.blogspot.com.br






2 Comentários

  1. CLÉSIDE ARAGÃO SODRÉ DA MOTA disse:

    VALEU ARMANDINHO, ÓTIMA ENTREVISTA.

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  2. Breno Marques disse:

    Obrigado pela entrevista Armandinho! Fantástica a sua história!

    Responder

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